Friday, February 14, 2014

Programa Todo Seu- 13 de fevereiro de 2014.


Meus sinceros agradecimentos ao meu querido colega Alessandro Vianna e a  Ronnie Von e toda sua equipe!


Wednesday, January 29, 2014

Poliamor e o Divã

O POLIAMOR E O DIVÃ


Diana Dahre

O casamento é celebrado em diferentes culturas e lugares e em diferentes tempos. No entanto, a sua transformação enquanto instituição social foi enorme nestas últimas décadas. O modelo de família patriarcal que vigorou durante séculos escondeu mistérios, traições, ciúmes obsessivos, exercício de poder tirânico, coação física e económica ou, como em outras épocas, a negação do amor e da paixão como acontecia entre as famílias nobres da Europa quando ofereciam ou vendiam as suas filhas e os seus filhos em casamentos arranjados.
Em paralelo, têm surgido vários movimentos poliamoristas que reivindicam uma nova forma de amar e de relacionamento amoroso. Apesar de ter conhecimento de que já existiam algumas culturas não monógamas no mundo, o conceito conhecido como poliamor foi proeminentemente estabelecido nos Estados Unidos.  Algumas comunidades utópicas já iniciadas no século XIX começaram a ganhar força na década de 1960 com a revolução sexual. O termo “amizades íntimas” iniciado na década de 1970 e, em seguida, o movimento da não monogamia atribuível aos anos de 1980, acabaram por popularizar o termo “poliamor” já em plena década de 1990.
Entre nós, a popularidade  do poliamor se deve em grande parte aos livros de Regina Navarro Lins, entre esses A Cama na Varanda. Destacam-se também o documentário brasileiro Poliamor de José Agripino, realizado em 2010 ou a telenovela Avenida Brasil, líder em audiência e onde no último capítulo da trama, Cadinho (Alexandre Borges) se casou com três mulheres em um ritual simbólico, enquanto  em outro núcleo, Suelen (Isis Valverde) e seus dois maridos – Roni (Daniel Rocha) e Leandro (Thiago Martins) – decidiram viver juntos.
O movimento tem crescido com a proliferação das redes sociais. Neste novo sistema de consumo acontece a sugestão horizontal da informação e dos dados com um acesso mais democrático e organizado por redes. Estas subculturas reais e virtuais instruem outras visões do mundo e expõem informação, vinculação, sentimentos e desejos muitas vezes sem filtragem feita por uma autoridade central.
Nestas redes de subculturas (virtuais) a circulação de ideias e a formação de conhecimento. Através da circulação de conhecimento forma-se o sentimento de comunidade. Este sentimento volta a ligá-los a si próprios e a um conjunto de pessoas que, se pensando e sentindo isoladamente, estavam afinal comungando de algo que não os torna diferentes mas iguais. Este processo tem lugar em redes, através de uma simbologia (linguagem) própria que é aprendida e socializada entre todos os membros no relacionamento entre si  e o mundo. Entre estas comunidades (virtuais) de aprendizagem tem crescido o poliamor, alertando para novas formas de amor e de vivência dos relacionamentos.

Psicanálise e Poliamor
Os poliamoristas não afirmam a necessidade de reestruturar as relações amorosas sob algum modelo especifico  . Apenas contestam que esta deve ser socialmente respeitado. No entanto, por não ser socialmente aceito, os poliamoristas estão mais sujeitos a diversos fenômenos ligados à rejeição como a frustração, o medo ou a anomia social. Os poliamoristas procuram não só uma crescente aceitação social mas também alguns buscam compreender melhor atraves de redes sociais ou terapias diversas compreender as suas implicações . Apesar de muitos buscarem mais informações em diversos meios de comunicação, enfrentam problemas de inclusão e entendimento mútuo durante o processo terapêutico. Contudo, faltam ainda elementos de estudo deste fenômeno entre psicanalistas e demais especialistas.
Para a Psicanálise, o desejo pressupõe objetos e exige que exista necessidade e amor. Para Lacan, o desejo nunca é alcançável porque é dessa forma que ele continua desejo. Cessando o desejo, cessa a vida. Não sendo completamente realizado, o amor e as relações acabam por ter uma dimensão que vai para lá da monogamia.
A expressão da sexualidade na infância é bastante importante para que Freud tenha desenvolvido a história sexual dos indivíduos. A raíz da primeira repressão das necessidades, do desejo ou do afeto, tem repercussões na forma como é vista e tratada a pulsão pelo indivíduo. Uma vez mais, o desejo do passado retoma de uma forma diferente no presente, assumindo outro objeto.
Tal como a fixação e a sexualidade infantil foram pressupostos essenciais na teoria freudiana, a ideia de sexualidade como procriação tem também uma relevância maior. A ideia de que a sexualidade serve exclusivamente para a procriação e para a continuação da vida e da sobrevivência afasta o Homem social do Homem desejo. No entanto, o desejo não encontra fim absoluto e daí não existe descanso para a expressão da líbido original, será o Superego social a exercer a repressão da expressão biológica e formativa, impedindo socialmente a expressão do desejo individual. É no estudo da transgressão da moral social que encontramos terreno fértil para o entendimento e aceitação desta prática crescente.
Por outro lado, falar de poliamor também depende de outras realidades e conceitos que a teoria psicanalítica tem desenvolvido desde Freud, como a defesa de romance familiar, a ideia de meio e o narcisismo. Também, e seguindo Winnicott, podemos entender o poliamor como resultado do contexto e do meio envolvente do indivíduo, o que lhe permite a expressão, o sentimento e a vivência poliamorista.
Para o psicanalista o objetivo não é interpretar ou julgar qual é a relação amorosa ideal.  Tal como Freud na sua busca intelectual, é preciso compreender o mundo em sua volta.  Ele se interessava pelos acontecimentos sociais e culturais de sua época, pelas produções literárias, artísticas, mitológicas e religiosas. Vivemos na época do hiperconsumo, da hipermodernidade e do hipernarcisismo. A psicanálise é um método de investigação que deve ser reinventada pelos contextos humanos. Desta forma, a escuta psicanalítica necessita de olhos novos para lidar com os novas tendências de  se relacionar. Na clínica atual devemos buscar uma abertura em  relação  a escuta dos nossos pacientes e buscar sentido a fala em função da subjetividade dos pacientes.  O analista  não deve seguir uma lógica no discurso do seu analisando, ele deve reconhecer que o sujeito não é um ser estático, mas sim,  um ser em constante transformação  e com  algo que é tão dinâmico como a sua  psique.  O analisando tem o direto, por meio de palavras, ações e desejos indagar e ao mesmo tempo ter a ‘’escuta’’ do seu psicanalista sem  nada a esperar para alem do que foi dito.
A  psicanálise não deve-se reduzir à terapia analítica, ao estudo da relação analítica e do psiquismo individual, principalmente de forma que foi feita ao longo de varias décadas.  Para isso, cabe ao analista atual compreender as transformações do mundo em que vivemos e ampliar a escuta psicanalítica.

Por isso, seguindo uma ética psicanalítica, para atender um sujeito poliamorista é compreender e respeitar essa modalidade de se relacionar.  Cabe aos futuros psicanalsitas, conhecer essa forma de amar e por meio da escuta, atender os poliamoristas e auxiliarem que esses desenvolvam suas singularidades e aceitem suas limitações e desejos como todas as  amorosas. 

Monday, October 14, 2013

Blasé


 



 

A infância e adolescência blasé

 

Andei analisando o comportamento de algumas crianças e ouvindo alguns comentários de adultos sobre seus filhos. Fiquei buscando um adjetivo para esses frutos do hiperconsumismo. De repente, encontrei uma palavra que achei muito adequada: blasé!

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra blasé de origem francesa significa

adj. e s.m. (pal. fr.) Profundamente entediado de tudo, na realidade ou por afetação.

Em tempos de Gigabytes, Wifi, X-BOX, Facebook, iphones com centenas de jogos ultra rápidos e potentes, abrimos espaços para crianças que nada no mundo  real faz mais sentido.  A interação é mínima.  A expressão e o olhar é de tédio.  Quando o jovem é brutalmente interrompido do seu mundo virtual, o ar é de absoluto desgosto.

Sempre gostei de atender jovens e sempre aprendi muito na clinica e nas escolas. Os adolescentes com todos os jargões, me ensinaram como o mundo contemporâneo se apresenta.  

Quando o tempo de isolamento é insuportável e a agressividade se manifesta, ai vem a preocupação.  Mas, o admirável na criança e no adolescente mesmo é a curiosidade, a criatividade, e a vontade de se divertir e viver intensamente.  Esses sim, são os adjetivos antônimos da palavra  blasé.

 

 

 

 

 

 

Monday, August 05, 2013

O Homem e Situações Limites

Alguns extratos da aula do Professor Oscar Oro (Presidente de Logoterapia Buenos Aires)


Estudioso de Karl Jaspers  (1883-1969) anatomopatologista e psiquiatra,  Professor Oscar traduziu nas sua aula a filosofia existencial  as situações limites do ser humano.

O homem já condenado a existir enfrenta na sua vida 4 situações limites para sua sobrevivência.
As quatro são :   MORTE, CULPA,DESTINO ou AZAR e SOFRIMENTO.

Thursday, April 25, 2013

Bombas em Boston vs a Panela de Pressão.

   Acompanhei de perto os noticiarios sobre as bombas detonadas em Boston.  Assisti todo drama principalmente  no canal da famosa CNNI. Realmente, lamentável as vitimas inocentes que perderem suas vidas de uma maneira tão sem nexo.
   Mas, hoje uma discussão entre dois jornalistas um americano e outro inglês, que estavam trocando ofensas ao vivo, me deixou perplexa.  Imaginem, a discussam era, a panela de pressão.  Será que é uma nova arma? Deve ser banida? Isso é motivo de piada?!
  Sinceramente, eu não acreditei nos meus proprios ouvidos.  Do que mesmo eles estavam falando?! Da nova arma, a panela de pressão?!
  A Russia ja havia informado para CIA e para FBI sobre o irmão mais velho, que ficassem de olho.  Mas, isso agora não importa. A discussão é outra.
   Os pais, familiares e amigos dos ''lobos terroristas'' (termo usado quando não é organizado por um grupo maior) estão perplexos. E ai surge mais uma pergunta, como que você não sabe de nada, absolutamente de nada sobre o  que seu filho, marido, sobrinho faz?
    Por isso, que vejo tantos pais, casais, filhos e amigos que se perdem um dos outros nesse mundo louco, e se surpreendem quando se deparam um belo dia com lobos soltos por ai.....